Papo de Redação: Silvio Lancellotti abre o jogo no Caixa Preta

Lancellotti: Mestre na cozinha, nos comentários, literatura e jornalismo.

Na segunda edição do Papo de Redação, o Caixa Preta teve o privilégio de ser recebido pelo grande jornalista, gourmet, escritor, comentarista e arquiteto Silvio Lancellotti. Hoje trabalhando como comentarista na ESPN Brasil e com dezenas de livros publicados, entre romances, livros de receitas e sobre futebol. Lancellotti é um dos grandes nomes do jornalismo esportivo brasileiro e por isso o procuramos. Ele recebeu o Caixa Preta em sua casa aconchegante, na zona sul de São Paulo, durante o aniversário da cidade.

A fala pausada, o olhar franco e as respostas firmes, são reflexo de um profissional experiente e inteligente. A impressão que tive é de um perfeccionista, especialmente no uso da língua. Ainda durante o papo, revelou uma ligação que fez à ESPN cobrando a troca da palavra Octacampeão (referindo-se ao título corintiano da Copa São Paulo 2012): “Não existe Octa, é Octo! (…) Se você não corrige, fica assim”. Assim é Lancellotti. Confira a primeira parte da entrevista.

Caixa Preta – Você se formou em arquitetura, mas desde 1968 trabalha como jornalista…

Silvio Lancellotti – Eu me formei em arquitetura, trabalhei em arquitetura até 1980. Eu na verdade queria fazer arquitetura e trabalhar com isso, mas acabei sendo arrastado pro jornalismo num desses acidentes do destino, uma ‘bola de neve’. E não saí mais.

CP- Ao longo da sua carreira você se tornou referência em gastronomia, como escritor e comentarista de futebol, colunista em jornal. Qual dessas áreas mais faz a cabeça do Silvio Lancellotti?

SL – Isso tudo foi acidente, nada provocado. Eu se pudesse hoje decidir sobre o meu passado, gostaria de ter sido arquiteto. Adoro projetar. Tenho 200 mil metros quadrados de área construída. Algumas coisas muito bonitas, elegantes e charmosas. Mas naquela época, final dos anos 70, não estava dando e pintou a possibilidade do jornalismo. E eu acabei desembocando no jornalismo.

E o jornalismo é um vício. Não consegui parar. Comecei na Veja, da forma mais absurda possível. Comecei como editor de internacional na Veja, num ano doido que foi 1968. Teve a morte do Luther King, a morte do Bob Kennedy, a eleição do Nixon. Eu fiz a eleição do Nixon que foi a capa da revista. E aí é uma ‘bola de neve’, as coisas foram acontecendo e você não tem controle sobre elas.

Eu resisti ao máximo a deixar a arquitetura de lado, mas não consegui. Primeiro porque o jornalismo era mais cativante, mais emocionante e até porque a arquitetura não estava me dando dinheiro. Na época eu já era casado, já tinha um filho. Aí ganhei uma bolsa pra fazer psicologia da comunicação nos Estados Unidos. Aí a arquitetura dançou de vez. Me fascinei com a possibilidade e “bye bye” arquitetura.

“Eu gosto é de escrever, de colocar no papel algo que valha pro futuro”

CP – Como você vê publicações como a Veja e a Istoé, revistas que você ajudou a fundar? Como analisa essas publicações hoje?

SL – Hoje eu não leio nenhuma das duas, aliás não leio revistas. Eu sou fundador da Veja, fui um dos primeiros editores da Veja, de política internacional. Cuidei dessa área até ir para os Estados Unidos. Quando voltei, em algumas semanas eu fiz matérias importantíssimas. Matérias de capa como por exemplo a liberação do embaixador americano em troca de reféns. Depois o embaixador alemão que havia sido sequestrado também por supostos terroristas. E eu, cuidando de política internacional, estava tocando essas áreas por mera coincidência.

Se pudesse, ficaria nessa editoria a vida inteira. Adoro política dos Estados Unidos. Ainda agora temos a fase das primárias, com candidatos absolutamente grotescos, ridículos. Fiquei na Veja, fui morar nos EUA, fiquei dois anos lá. Quando voltei, assumi a maior editoria na época: artes e espetáculos. Era uma peculiaridade na época porque ninguém podia falar de economia e política. Mas havia uma brecha interessante em artes e espetáculos. Inventei a expressão “a ópera inominável” de Ruy Guerra e Chico Buarque para ‘Calabar‘. Ninguém falava de ‘Calabar’.

Só que quando o Vlado Herzog morreu, em outubro de 1976, a situação ficou muito complicada. Não na Veja, mas a situação no governo, no país. Pediram a cabeça do Mino Carta, que era nosso chefe chefe. Armando Falcão pediu a cabeça dele, isso você acha no livro do Mino: O Castelo de Âmbar. E achamos que era conveniente, correto e honesto sair da revista. Não foram todas as pessoas que saíram, mas eu saí.

Não é que eu tenha saído logo, eu lembro que uma vez, durante um jantar, o Mino me disse: “o estômago em primeiro lugar. Cuidem em primeiro lugar da alimentação e da sua família”. Eu disse: Mino, mas eu não aguento, não consigo mais trabalhar lá. E ele: “ ‘Lança’… continua. Na hora que eu tiver uma chance, eu te chamo.

Passados alguns meses, ele me chamou. Fomos jantar e ele me contou que iria fazer uma revista mensal chamada Istoé, que ia durar alguns meses. Com a mesma equipe ia fazer a revista se tornar semanal e perguntou se eu topava. Então fui fundador da Veja e fundador da Istoé. Mas essas revistas hoje são completamente diferentes do que eram. Aliás o país é diferente, não há como você comparar aquele período ao de hoje.

Eu morava em outra casa em 1968 e um vizinho meu era um oficial do exército, mas era um amigo. Várias e várias vezes ele batia na parece e dizia: “te cuida, porque eles vem pegar você”. Nunca fui um cara perigoso, fui vice-presidente da UEE no tempo em que o Serra era presidente, em 62. Fui vice-presidente de esportes, uma coisa absolutamente ridícula do ponto de vista da combatividade. Organizei um congresso da UNE em 63, mas esse foi o maior perigo que eu criei para o país, além do trabalho que fiz como jornalista. E o que eu fiz como jornalista, foi sempre honestamente.

É engraçado porque hoje com 67 pra 68 anos eu me pergunto: como fui virar jornalista depois ser arquiteto? O arquiteto é um esteta, né. Um cara que procura a beleza. Lancei um livro recentemente, o meu terceiro romance. E o meu entrevistador, o Cadão Volpato da TV Cultura, me perguntou como é essa transformação. Respondi que não sei. O que posso dizer é que num certo momento, não é que eu tenha optado, alguém optou por mim. O que eu gosto Caio, é de escrever. Tanto faz o assunto. Não importa se é esporte, cinema, teatro, música. Eu gosto é de escrever, de colocar no papel algo que valha pro futuro.

“Organizei um congresso da UNE em 63, mas esse foi o maior perigo que eu criei para o país, além do trabalho que fiz como jornalista. E o que eu fiz como jornalista, foi sempre honestamente”.

 CP – Você é um dos pioneiros das transmissões do Campeonato Italiano aqui no Brasil…

SL- Não fui o primeiro. O Antero Grecco já fazia, o Flávio Prado já fazia. Lembro que em 1982-83, fui almoçar com um amigo e o Luciano do Valle estava lá. Acabamos sentando na mesma mesa e aí eu disse: ó Luciano, brincadeira né. O que os caras falam de bobagem. Erro de nome, erro de pronúncia. E o Luciano, desafiador, virou e disse: “Cê tá afim? Venha domingo, tem Juventus e Roma, você vem fazer e a gente vê o que acontece”.

E eu me preparei, fui com uma tonelada de material. Os dois times, escalações, passado… enfim. E fiz uma transmissão do grande ‘Capeta’ (Silvio Luiz). Acabou a transmissão, o Silvio Luiz virou pra mim: “Xará, cê tá fudido. Cê não sabe o que aconteceu, você não sai mais daqui”. E fiquei na Band por 13 anos.

CP – Quando começou a transmitir o futebol italiano, você imaginava que a popularidade do futebol internacional ia chegar ao que é hoje?

Eu queria que fosse assim. Até porque quando comecei a fazer o futebol italiano, eu viajava uma vez por ano pra Itália e trazia camisas pro meu filho, algumas autografadas até. Eu achava aquilo uma pena, porque as camisas italianas eram muito mais bonitas que as brasileiras. Pegava uma camisa do Genoa, da Sampdoria nossa, são lindas. Fazíamos de vez em quando um sorteio no jogo da Band. E, de novo, foi uma ‘bola de neve’. A própria emissora, num certo momento, assumiu a responsabilidade de trazer as camisas.

E hoje é engraçado, você vai na periferia em bairros paupérrimos e o assassino de plantão tá com uma camisa de uma equipe internacional. Mas eu não esperava. A gente queria que a coisa desse certo.

CP – O que você acha da cobertura esportiva brasileira. Qual a avaliação que você faz em termos de conteúdo e qualidade?

SL – Não posso falar sobre isso. Não posso falar sobre colegas. Não faz parte do meu estilo criticar colegas. Mas genericamente, em homenagem a sua vinda aqui, eu diria que a cobertura hoje é superior ao que era há vinte anos.

CP – Como você vê a crise no futebol europeu?

SL – Hoje as coisas transcorrem quase que normalmente. O grande problema na Europa é o excesso de poder dos clubes. Muito mais o poder dos clubes do que dos jogadores, esses não tem poder nenhum. Se você pensar de que forma os jogadores interferiram no andamento dos campeonatos nos últimos 20 anos, você vai ver nada. Agora, as federações sim. Mas hoje o poder é da liga de clubes. Na Itália, a liga de clubes é muito mais poderosa do que a FIG. Mas acho que não vai acontecer nada de extraordinário.

CP – Você acredita nas novas regras financeiras de padronização de gastos da UEFA, que tem planejamento pra começar a partir de 2013?

SL – Não. É lógico que isso é tudo ajambração, vão arrumar de uma forma ou de outra. Uma rodada do campeonato italiano que você interrompa, você perde 4 ou 5 bilhões de dólares. Dinheiro que os clubes movimentam, público, etc. A Juventus de Turim completou ontem (24/01) a 19ª partida em seu novo estádio com tutto esaurito. É a primeira vez em séculos na Europa que acontece isso. Uma equipe jogar com o estádio repleto. Não é um estádio grande, 40 mil lugares, mas você multiplica por 15 euros, dá uma bela de uma grana.

CP – Como você analisa a questão de segurança, violência nos estádios. Você consegue fazer algum paralelo com o que acontece no Brasil?

SL – Impossível fazer um paralelo e vou te explicar porque. Em primeiro lugar a violência lá é individual, não existe essa história da torcida uniformizada que decide brigar com outra torcida na estação do metrô. Lá ocorrem entrechoques individuais, mas as confusões são do idiota que tá com uma adaga na mão, um canivete e decide espetar o outro. Tanto que cada vez menos ocorre isso na Itália hoje.

Aqui é uma coisa de quadrilha. É combinada via internet, via orkut, via Facebook: ‘vamos matar os caras do São Paulo hoje em tal lugar, assim, assim’. É uma coisa de civilidade, não é uma coisa de raiva.

Além disso, lá você aquela coisa da identificação. Em qualquer lugar onde você vá, você tem a câmera. Aqui, de certa maneira também tem mas, não é assim. O cara lá que é flagrado e tenta entrar no jogo, ele não pode. Porque ele é identificado no acesso ao estádio e fica seis meses, oito meses, dois anos sem ver jogo. E aqui ninguém controla.

CP – Você tem alguma sugestão para que se resolva esse nosso problema?

SL – Há vinte anos que digo: identifiquem-se. É simples: carteirinha e fotografia. O cara chega no estádio e não pode entrar, é tão fácil. Isso funciona na Inglaterra desde os anos 80. O cara é obrigado a tirar um documento e não consegue entrar no estádio.

A segunda parte será publicada na quinta 02/02.

Drops

De novo ele. Alan Kardec marca todos os gols do Santos no campeonato. (Foto: Divulgação)

Por Caio Calazans

Corinthians 1 x 0 Linense
Estádio do Pacaembu – São Paulo, SP

A vitória corintiana conquistada nesse domingo teve como personagem central a arbitragem. O juiz Marcelo Rogério não teve uma tarde feliz, errou flagrantemente em pelo menos dois lances que poderiam ter dado outros rumos ao duelo. O jogo não foi fácil para  o time da capital. Apesar do domínio em boa parte, o alvinegro não conseguia concretizar a maioria das chances.

Aos 38 do primeiro tempo, a arbitragem anulou de forma ridícula um gol legal do Linense. O zagueiro Fabão subiu livre e marcou de cabeça. O juiz viu uma carga em cima do lateral corintiano Fábio Santos, algo que não aconteceu. Marcelo Rogério marcou a falta e anulou o gol. Naquele momento da partida, o Corinthians tinha dificuldades para penetrar a área da equipe de Lins. Poucos minutos depois, outro erro flagrante. Fábio Santos foi empurrado claramente dentro da área, mas o árbitro ignorou e mandou seguir.

O segundo tempo seguiu no mesmo ritmo. Jorge Henrique e Élton foram para o jogo tentando mudar o panorama, mas o Corinthians seguia com pouca inspiração. Aos 34 minutos, graças ao oportunismo e uma boa dose de sorte, Émerson marcou o gol da vitória corintiana. Mais uma vez a equipe de Tite venceu, mas não jogou uma grande partida. Para muitos essa parece ser a tônica desse Corinthians, competitivo mas sem brilho, forte mas sem empolgar.

Catanduvense 1 x 1 Palmeiras
Estádio Silvio Salles – Catanduva, SP

Nada parece mudar para o torcedor palmeirense. Outra vez o Verdão sofreu para conquistar pontos ante uma equipe teoricamente bem mais fraca. O primeiro tempo foi sofrível. O jogo era muito brigado no meio campo, ambos erravam passes em demasia e quase não tiveram oportunidades de gol.

Na etapa final, o Palmeiras era ligeiramente melhor, principalmente com a entrada de Pedro Carmona, aos 13 minutos. Mas aos 28, Leandro Amaro cometeu um pênalti infantil e a equipe do interior abriu o placar. Graças à ação de Felipão, que colocou Fernandão em campo no lugar do pouco produtivo Maikon Leite, o Verdão começou a abusar do chuveirinho.

Contando com a qualidade de Marcos Assunção, o próprio Fernandão escorou de cabeça  uma bola levantada na área aos 39 e empatou a partida. Apesar do empate, o jogo foi fraco e o futebol do Palmeiras ainda precisa melhorar muito para brigar pela taça. Com esse futebol e esse elenco, o título paulista deve ficar para 2013.

São Paulo 2 x 1 São Caetano
Estádio do Morumbi – São Paulo, SP 

O São Paulo continua liderando o Campeonato Paulista e empolgando sua torcida. A vítima da vez foi o São Caetano. Mesmo sem apresentar um grande futebol, o tricolor paulista não teve grandes dificuldades para bater o Azulão. Logo aos 15 minutos, Luís Fabiano tabelou com Fernandinho e recebeu livre na cara do gol. O goleador são-paulino finalizou sem chances para o goleiro: São Paulo 1 a 0.

Dois minutos depois, em uma falha coletiva da defesa, Moradei (ex-Corinthians) entrou sozinho dentro da área e empatou o jogo. A sorte tricolor parecia ter virado, sobretudo quando aos 30 minutos Luís Fabiano sentiu uma contusão muscular e foi substituído pelo garoto William José.

O jogo não era moleza. Apesar de dominar, o São Paulo se preocupava com as descidas do Azulão, que ameaçou o gol de Dênis em algumas oportunidades. A sorte que parecia ter abandonado o São Paulo, voltou no segundo tempo. Aos 32, Lucas enfiou uma sapatada de fora da área e o goleiro Luís falhou feio ao esquecer os óculos em casa. São Paulo 2 a 1, liderança garantida e a terceira vitória tricolor.

Paulista 1 x 1 Santos
Estádio Jayme Cintra – São Paulo, SP

Partida dificílima para o Santos. Ainda sem seus principais jogadores, a equipe de Muricy Ramalho teve a pressão do Galo do Japi constantemente ameaçando sua defesa. Logo aos 8 minutos, Renan Marques foi lançado no meio dos zagueiros santistas e saiu livre na cara do goleiro Aranha. Tocou na saída do goleiro santista e abriu o placar.

O jogo seguiu com pressão do Paulista e desorganização do Santos. Na segunda etapa, Muricy aguentou o quanto pode, mas aos 12 minutos mexeu pela primeira vez, colocando Breitner em campo. O jogos seguiu igual: o Santos tinha mais posse de bola, acertava mais passes, mas não conseguia ameaçar.

Acredite você em espiritismo ou não, foi Alan Karcec que salvou o alvinegro praiano de novo. O atacante marcou aos 30 minutos seu quarto gol no campeonato, coincidentemente o quarto gol do Santos. Final: Paulista 1 x 1 Santos. Sem seus principais jogadores, o Peixe somou apenas 5 de 9 pontos e agora figura na sétima posição, colado com o Palmeiras.

Libertadores 2012 – O início da batalha

O talento de Oscar é uma das armas mais perigosas do Internacional na Libertadores 2012. (Foto: Jefferson Bernardes/Vipcomm/Divulgação)

Por Caio Calazans

Caminho espinhoso para o Inter em busca do tri

O caminho do colorado não é nada fácil. Logo na primeira fase enfrenta uma equipe já tradicional na Libertadores, o Once Caldas-COL. Na primeira partida, em território gaúcho, o Internacional guerreou, correu, suou a camisa. Mas no fim o resultado foi magro: uma vitória simples.

Ano passado o Cruzeiro foi eliminado pela equipe colombiana por muito menos do que isso. Não será nada fácil para o colorado segurar uma vantagem magra assim na partida de volta, na casa do Once Caldas. O duelo não tem favoritos, embora o Internacional no papel seja mais forte. Mesmo classificando, a pedreira continua para os gaúchos. Passando à próxima fase, o Inter cairá no grupo do atual campeão: o Santos.

Com o talento do garoto Oscar e o oportunismo e força de Leandro Damião, o Internacional espera não perder D’Alessandro para manter a qualidade. A perda do camisa 10 seria a esta altura um prejuízo incalculável. Tem força, camisa e tradição para buscar o título. Porém, em termos de elenco, está um pouco abaixo dos principais favoritos brasileiros.

Vágner Love de volta ao Flamengo para ajudar a 'arrumar a casa'. (Foto: Divulgação)

Flamengo nunca é cachorro morto

O mengão encara a primeira fase em plena turbulência. Depois do episódio Thiago Neves estremecer as dependências da Gávea, explodiu na mídia uma suposta insatisfação de Ronaldinho Gaúcho e do grupo rubro-negro em relação ao treinador Vanderley Luxemburgo. Em meio a tudo isso, a magnética e apaixonada nação assiste a tudo com a testa queimando de preocupação. Mas não se enganem, o Flamengo pode ressurgir a qualquer momento e brigar pela taça, mesmo que isso pareça improvável.

Na primeira batalha, uma decepcionante derrota para o fraquíssimo Real Potosí-BOL, que se valeu da cidade mais alta do mundo para sufocar o poderoso mengão de Ronaldinho Gaúcho. A partida de volta está marcada para o Engenhão e o Flamengo terá de resolver suas diferenças internas, sob o risco de amargar uma vergonha semelhante à do Corinthians no ano passado, que foi eliminado vergonhosamente pelos colombianos do Tolima. Caso se classifique (o que deve ocorrer), o Flamengo enfrenta um grupo razoavelmente simples. As maiores forças serão Olímpia-PAR e Lanús-ARG. Nada muito complicado para um Mengão que já deve estar reforçado pelo artilheiro Vágner Love.

Com a experiência de duas Copas do Mundo, o experiente goleador Carlos Tenório promete demolir as defesas adversárias. (Foto: Site oficial do Vasco)

Vasco volta à Libertadores e quer reviver glórias de 1998

Apesar da grande temporada que teve no ano passado, o Vasco não se reforçou como poderia para disputar a Libertadores. E pior, viu seu fim de ano ser prejudicado com reclamações de jogadores sobre salários atrasados. Não que isso seja desculpa para um mau desempenho dentro de campo. Mas que atrapalha, atrapalha.

Além disso, o Gigante da Colina perdeu os úteis Jumar e Élton e fez contratações  pontuais. O destaque é para o goleador equatoriano Carlos Tenório. Com a experiência de duas Copas do Mundo, Tenório foi artilheiro por onde passou e chegou para disputar com Alecsandro o posto de matador cruzmaltino. Thiago Feltri e Rodolpho são boas apostas para melhorar o elenco. O argentino Abelairas disputa com Carlos Alberto o título de incógnita maior.

Diego Souza, Juninho Pernambucano, Felipe e Éder Luís são as outras esperanças vascaínas. Os jovens talentos Dedé e Bernardo também ajudam a qualificar o elenco. Mas ainda falta ao Vasco um ‘punch’ maior. Tem condições de surpreender, mas ainda considero-o em um estágio ligeiramente inferior ao dos principais favoritos brasileiros.

O comandante santista Muricy Ramalho terá de "quebrar a cabeça" para equilibrar um elenco com deficiências, mas ainda forte. (Foto: Divulgação)

Santos quer voltar a encarar o Barcelona

A chinelada homérica tomada pelo Santos na final do mundial, suscitou na Vila Belmiro uma enorme vontade de voltar à final do Mundial de Clubes. Logo após o jogo, Neymar dizia que tomaram um show de bola da equipe catalã, mas pretendiam voltar no ano seguinte e, se possível, repetir o duelo. Falado assim parece simples. Mas como duvidar de uma equipe com talentos no nível do próprio camisa 11, de Paulo Henrique Ganso, com a experiência de Elano, o faro de gol de Borges e a versatilidade de Arouca? Sem contar que no banco de reservas, o Santos tem um profissional que faz a diferença: Muricy Ramalho.

O que preocupa é a morosidade do alvinegro praiano em contratar. Com deficiências em seu elenco, especialmente nas laterais e no banco, a diretoria não fez grandes investimentos. A contratação mais comemorada foi a do uruguaio Fucile, lateral direito adquirido junto ao Porto-POR. Muito pouco para o atual vice-campeão do mundo.

Apesar disso, o Peixe é forte e tem qualidade para defender seu título. Mas não pense o torcedor praiano que será fácil. Certamente neste ano, o Santos não terá a sorte de não enfrentar nenhuma equipe brasileira na fase final, como ocorreu em 2011. A eliminação coletiva do passado não deve se repetir e os brasileiros deverão se cruzar. O Santos não só é favorito como é o alvo a ser batido. Seu entrosamento, a qualidade de suas peças e de seu comandante o coloca ao lado de Fluminense e Corinthians.

Em sua segunda temporada no Corinthians, Alex pode se tornar uma peça decisiva, graças à sua qualidade em bater na bola. (Foto: Gazeta Press)

Corinthians encara novamente seu pior pesadelo

Campeão brasileiro, o Corinthians volta à Libertadores para enfrentar seus piores medos. Depois da vexatória eliminação de 2011, espera-se que lições tenham sido aprendidas pelo grupo alvinegro, que afinal, é quase o mesmo. Do time que tomou uma piaba no fatídico jogo contra o Tolima-COL, estavam presentes os seguintes jogadores do atual elenco: Julio Cesar; Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Luiz ‘Cachito’ Ramírez, Jorge Henrique e Danilo.

Fora as lendas, os mitos e as zombarias criadas principalmente por torcedores rivais, o Corinthians é um dos favoritos à conquista da Libertadores. O elenco é forte, com jogadores experientes e versáteis. O técnico Tite tem bagagem e competência, conhece o elenco (que ele mesmo montou) e certamente usará como trunfo a possibilidade de atuar com formações táticas diferentes, de acordo com a necessidade da competição. Mas sabem bem os corintianos que mesmo tudo parece fluir e os ventos soam favoráveis, o barco pode virar de forma traumática. O Tolima permanece aí pra contar a história.

De volta ao Flu, Thiago Neves busca título que "escapou por entre os dedos" em 2008.

Fluminense quer título perdido em 2008

A ressurreição do Fluminense no cenário nacional começou em 2007 com o título da Copa do Brasil. No ano seguinte, o Fluzão fez uma campanha sensacional na Libertadores, eliminando o São Paulo e o Boca Juniors-ARG. A alegria porém se transformou num pesadelo quando o tricolor foi derrotado em casa pela LDU-EQU. Após estar vencendo por 3 a 0, o Flu tomou um gol que levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, derrota por 3 a 1 ante um Maracanã assombrado.

Um personagem decisivo daquela final está de volta: Thiago Neves. O meia que se desligou do Flamengo e voltou às Laranjeiras, marcou os três gols cariocas naquela amarga final. Outro personagem que brota das mangas tricolores como um verdadeiro Às é Abel Braga. Principal responsável pela campanha de recuperação no Brasileirão 2011, o treinador carioca tem duas características fundamentais: é tricolor de coração e já venceu a Libertadores em 2006, dirigindo o Internacional. Com tudo isso, pelo elenco que tem e com os reforços que trouxe, o Fluminense se coloca no mesmo patamar de Santos e Corinthians.

Drops

Lucas marcou um golaço e definiu a segunda vitória do São Paulo no campeonato. (Foto: divulgação Vipcomm)

Por Caio Calazans

Guaratinguetá 0 x 2 Corinthians
Estádio Dario Leite – Guaratinguetá, SP 

Sem muito brilho, o Timão venceu o Guaratinguetá ontem no duelo válido pela segunda rodada. Com gols de Chicão e Alessandro, a partida não teve como ponto alto o bom futebol. Assim como no início de temporada, o Corinthians fez o necessário para vencer e conquistar mais três pontos. O gramado também não ajudou e o jogo foi monótono, com poucas momentos de emoção.

A questão não é jogar bem ou mal, mas manter uma regularidade que, bem ou mal; somará pontos que no fim da classificação fará diferença. O time corintiano é competitivo, mostrou isso na grande campanha do título nacional. Jogará bonito esporadicamente, mas essa não é a prioridade. E não há mal nenhum nisso.

Oeste 2 x 3 São Paulo
Estádio Eduardo José Farah – Presidente Prudente, SP 

Mais uma vitória e o tricolor vai buscando acertar suas peças. Ainda sem Rogério Ceni, o São Paulo foi a Presidente Prudente e somou mais dois pontos para manter a liderança na tábua de classificação do Paulistão.

Em um jogo emocionante, o Oeste saiu na frente, mas em poucos minutos viu o tricolor virar com a ajuda de seu próprio zagueiro. Cris marcou o gol de empate do São Paulo de cabeça, empurrando para o próprio gol. Wellington fez bonita jogada e macou o segundo gol são-paulino. Apesar do resultado, o São Paulo abusava das jogadas individuais, problema também visto na primeira rodada contra o Botafogo-RP. E foi com uma bela jogada individual que Lucas fechou o placar tricolor, entrou sambando com a bola dentro da área e, enquanto a zagueirada especulava sobre o preço do dólar ou a crise na Europa, o menino são-paulino mandou uma balaça no ângulo do goleiro.

Palmeiras 1 x 1 Portuguesa
Estádio do Pacaembu – São Paulo, SP 

Um clássico bem movimentado ontem no Pacaembu. Apesar de ter apresentado um pouco mais de volume de jogo, o Palmeiras saiu perdendo da Portuguesa e só empatou graças ao gol de um jogador fonte de inúmeras críticas no ano passado: Ricardo Bueno.

A Portuguesa finalizou menos, teve menos posse de bola e acertou menos passes do que o Verdão, mas teve o domínio das ações em boa pare do jogo, especialmente no primeiro tempo. Porém, gols mesmo só no segundo tempo. Maylson marcou pela Lusa e Bueno empatou.

Duelo de gigantes na decisão da Copinha


Forte e competitivo Douglas põe medo na zaga adversária (Foto: Hélio Suenaga/GazetaPress)

Por Vinícius Lecci

Já virou tradição. Dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo e final da Copa SP de Futebol Junior. No dia em que a maior cidade do país completa 458 anos, Corinthians e Fluminense entrarão em campo para decidir quem fica com o título do principal torneio de juniores do Brasil. Em campo, 12 títulos da Copinha. Corinthians, com 7 títulos – 1969, 1970, 1995, 1999, 2004, 2005 e 2009 –, e Fluminense, com 5 conquistas –1971, 1973, 1977, 1983 e 1989 –, são os maiores campeões do torneio, que é disputado desde 1969.

Dois dos maiores celeiros de craques do nosso futebol paulistas e cariocas chegam à decisão com campanhas irretocáveis e reeditarão a finalíssima do torneio de 1973, quando o Flu levou a melhor. Enquanto o time do Pq. São Jorge chega à decisão invicto, com o melhor ataque e a melhor defesa da competição – 28 gols marcados e apenas um sofrido –, os meninos de Xerém chegam para decidir com apenas uma derrota em toda a campanha – 22 gols marcados e sete sofridos; a maior parte do elenco tricolor também esteve presente na campanha do vice-campeonato no último Brasileirão sub-20.

Além da tradição e das camisas, os dois times também contam com os grandes destaques individuais do torneio. No Fluminense, o camisa 10 Eduardo é um dos grandes garçons da competição e o atacante Marcos Júnior a principal esperança de gols. Do lado alvinegro, o forte centroavante Douglas e o cérebro Matheuzinho comandam a equipe que luta pelo octa.

Marcos Júnior é o “homem-gol” e a principal esperança do Fluminense (Foto: Divulgação)

Confira aqui no Caixa Preta as campanhas das duas equipes até aqui e aguardemos por essa decisão que promete ser um grande jogo. E que vença o melhor!

Fluminense – Primeira Fase

Fluminense 5 x 0 Ji-Paraná
Fluminense 2 x 1 Mogi Mirim
Fluminense 2 x 3 Olé Brasil

Segunda fase

Fluminense 1 x 0 Bahia

Oitavas

Fluminense 4 x 1 Grêmio

Quartas

Fluminense 4 x 2 Desportivo Brasil

Semi

Fluminense 4 x 0 Coritiba

Corinthians – Primeira Fase

Corinthians 9 x 0 Santos-PB
Corinthians 2 x 0 Desportiva
Corinthians 3 x 0 Juventus

Segunda fase

Corinthians 1 x 0 Goiás

Oitavas

Corinthians 5 x 1 Primeira Camisa

Quartas

Corinthians 2 x 0 América-MG

Semi

Corinthians 6 x 0 Atlético-PR

Há 20 anos, a consagração do tricolor de Telê Santana


Os heróis são-paulinos desfilam em carro aberto com a taça do mundo. Uma conquista inesquecível.

Por Caio Calazans

Gol do Brasil! Foi assim que Luciano do Valle gritou o gol de empate do São Paulo na final da Copa Intercontinental contra o Barcelona, no jogo que era considerado a final do campeonato mundial. O campeão da Libertadores enfrentava o campeão europeu em jogo único, também conhecido como a Copa Toyota (a empresa japonesa levou a decisão para o país em meados dos anos 80). Naquela época não existia um Mundial oficial da FIFA, criado apenas em 2000.

O São Paulo estava pela primeira vez na decisão do mundial, após vencer sua primeira Libertadores. O time era recheado de jogadores jovens e alguns já consagrados numa filosofia de jogo inesquecível do mestre Telê Santana. Primava pelo jogo bonito, pelo fair play, pelo bom-mocismo. Naquele time não havia estrelas, ninguém era mais do que ninguém. O que importava era honrar a camisa do São Paulo e o futebol arte do Brasil.

Zetti, Vítor, Ronaldão, Adílson e Ronaldo Luís, Pintado, Toninho Cerezo, Raí e Palhinha, Muller e Cafu entraram em campo naquele 13 de dezembro sem nenhum favoritismo. O Barcelona de Johan Cruijff vinha cheio de moral e de craques como Ronald Koeman, Pepe Guardiola, Michael Laudrup e o cracaço búlgaro Stoichkov. Romário também fazia parte daquele time, mas não jogou por estar machucado.

Mas não teve jeito. Mesmo abrindo o placar com Stoichkov aos 12 minutos, o Barcelona não aguentou o talento brasileiro.  Raí marcou duas vezes e o tricolor foi campeão do mundo pela primeira vez.

Parabéns a todos os são-paulinos do Brasil pelos vinte anos dessa conquista marcante do futebol brasileiro!

Campeonato Paulista 2012: Todos contra o Santos

Por Caio Calazans

O Paulistão 2012 já começa com um alvo claro definido: O Santos Futebol Clube. Dos últimos seis torneios, o Santos levou quatro. Além disso, o alvinegro praiano pode igualar um recorde histórico pertencente ao Corinthians: pode se tornar pela terceira vez tricampeão paulista – o Peixe já conquistou o tri em 1960-61-62 e em 1967-68-69.

Além dos dois campeões nacionais (Corinthians e Portuguesa) e do campeão da América, a primeira divisão paulista também traz o retorno de equipes marcantes. O grande clássico ComeFogo de Ribeirão Preto voltará a ser disputado, pois o Comercial está de volta à elite. Em Piracicaba a festa é enorme com o retorno do querido Quinzão, o XV de Piracicaba, equipe tradicionalíssima do interior.

Santos

O atual bicampeão paulista e campeão da América não fez grandes contratações. Apesar de um banco de reservas que não empolga, o Santos não abriu os cofres para melhorar seu elenco. Tem um onze forte, mas se precisar dos reservas a coisa pode complicar. A contratação do uruguaio Fucile e a possível vinda de Juan do São Paulo podem ajudar a ajeitar as laterais, problema crônico da equipe nos últimos anos, já que finalmente perceberam que Léo não atua mais com a mesma eficiência de outros tempos.

Não se sabe se Paulo Henrique Ganso ficará ou não no clube. Mesmo que continue, pouco indica que o camisa 10 esteja com vontade de arrebentar no Paulistão e na Libertadores. Se o desempenho de Ganso pode ser uma incógnita, o de Neymar poucos duvidam. Melhor jogador do país em 2011, a jóia santista deve ser novamente a principal esperança alvinegra para alcançar o terceiro tricampeonato paulista e defender o título da Libertadores.

O Santos 2012, poucas mudanças e as incógnitas Léo e Paulo Henrique Ganso.

Corinthians

Campeão nacional, o Timão investiu certo ao qualificar mais seu elenco e não permitir a saída de jogadores. A equipe de Tite permanece a mesma e jogadores com potencial foram contratados, como o meia Vítor Júnior e o atacante Élton.

A principal qualidade do Corinthians é o entrosamento. Assim como o Santos, a equipe de Parque S. Jorge tem uma base definida e um sistema de jogo estabelecido. Assim como o Santos, manteve o comando técnico. Assim como o Santos, é favorito ao título paulista.

Mas há algo que o Corinthians tem que nenhuma outra equipe de São Paulo tem, a versatilidade de seu elenco. Jogadores como Danilo, Jorge Henrique, Alex, Émerson e William podem atuar em mais de uma posição e já foram testados de várias formas, o que dá ao técnico Tite a possibilidade de surpreender seus adversários em 2012. A necessidade de 2011 obrigou o Timão a testar novas formações, ganhando versatilidade tática.

O Corinthians ideal, com Adriano e Liédson na frente, Alex no meio e Danilo pela esquerda.

São Paulo

Desde a saída de Muricy Ramalho em 2010, o São Paulo vive em constante transição. Não tem mantido técnicos, não tem apostado em uma base, tem feito o que não costumava fazer há algum tempo: cedendo à instabilidade dos resultados.

Como um ditador, Juvenal Juvêncio aparece de quando em vez para destilar ameaças, cobrar responsabilidades e expôr seu descontentamento. Às vezes em tom incendiário, às vezes em tom etílico, personifica o comando cada vez mais centralizado em um clube que décadas atrás se destacava por ter uma administração diferente da maioria.

Com o experiente e porém polêmico Leão no comando, o time tricolor tem boas peças e trouxe reforços de potencial, porém ainda corre por fora. Dependendo de como a coisa correr no Morumbi, o São Paulo pode surpreender e levar o Paulistão. Curiosamente conquistado a última vez em 2005, sob o comando do mesmo Émerson Leão.

Com Jádson centralizando a criação, apoiado por Cícero, Lucas ficaria mais liberado para jogar como um segundo atacante, já que o apoio dos laterais é um artifício que agrada ao treinador são-paulino. A contratação de Cortês, lateral que mostrou desenvoltura no ataque atuando no Botafogo-RJ, pode ser um grande acerto do tricolor. Já que Juan fez um ano de 2011 para ser esquecido.

Com o apoio dos laterais, Wellington é o favorito a ganhar uma vaga no meio, pela qualidade em recuar para a proteção da zaga.

Palmeiras

Mais uma vez, o Palmeiras começa o campeonato como a quarta força. Este ano, pode até ser considerado a quinta, pois a Portuguesa me parece melhor estruturada taticamente e conta com um ambiente melhor do que a panela de pressão alviverde.

A chegada de Daniel Carvalho é um fato a ser comemorado. O meia tem qualidade, habilidade e é bom na bola parada, mas os problemas físicos podem atrapalhar. Ano passado, Carvalho teve sua sequência prejudicada no Atlético Mineiro pelo mesmo motivo. Aliás já há algum tempo o meia convive com constantes lesões e dificuldade em adquirir a melhor forma.

Com Carvalho e Valdívia no meio, o Verdão ganha habilidade e criatividade no meio. O destaque no ano passado, o atacante Luan, permanece e ganhará a companhia do argentino Hernán Barcos, que é uma incógnita completa. Com 27 anos, Barcos foi jogador do Racing-ARG de 2003 a 2009. Nesse período, foi emprestado para seis equipes diferentes sem se destacar por nenhuma. Em 2010 foi comprado pela LDU, onde marcou um caminhão de gols. Mas a camisa do Palmeiras pesa uma tonelada, principalmente numa fase como a atual.

Com poucas mudanças em relação a 2011, a maior dificuldade tática será encaixar Daniel Carvalho e Valdívia na mesma equipe, já que os dois costumam atuar na mesma faixa do gramado. A solução pode ser centralizar Carvalho e puxar Valdívia mais à direita, onde costumava atuar Patrik no ano passado.

Portuguesa

A Portuguesa começa o Paulistão por cima da carne seca. Campeã Brasileira da Série B com uma campanha de encher os olhos do país inteiro, a Lusa terá um ano muito importante pela frente. O principal objetivo é não repetir o que aconteceu em 2008, quando a equipe rubro-verde foi rebaixada no mesmo ano em que subiu.

Para evitar esse desastre, a diretoria bancou a permanência do técnico Jorginho e de alguns dos principais jogadores da campanha vencedora de 2011 como Guilherme, Edno, Marcelo Cordeiro e Boquita. Mas alguns jogadores que saíram farão muita falta, especialmente Ananias, um dos principais nomes do time no ano passado.

Mesmo assim, a Lusa trouxe jogadores com potencial como o meia Maylson que estava no Sport e os atacantes Rodriguinho ex-Fluminense e Vandinho, ex-Flamengo. Uma boa campanha no Paulistão (de preferência classificando às semifinais) será o início de um ano otimista na primeira divisão nacional para a gloriosa Lusa do Canindé.

Sem Ananias, Edno pode ter de atuar mais recuado, encostando nos dois atacantes pela esquerda. A Portuguesa pode mudar taticamente, mas ainda tem qualidade para ser competitiva.

A falta que faz Adriano

Por Caio Calazans

Terceira falta em treino, para alguns pode parecer muito. Para um atleta com a fama de Adriano, parece ainda pouco. Mesmo com todas as chances dadas pelo Corinthians e toda a proteção e respaldo que recebe da diretoria e da comissão técnica, jogador ainda sim não mostra a vontade esperada.

No amistoso contra o Flamengo, disputado no último domingo, pouco se movimentou. Visivelmente pesado, fora de forma e demonstrando pouco interesse em correr e, ao menos, mostrar serviço; foi presa fácil para a zaga RESERVA do Flamengo.

Não sei o que será deste caso daqui pra frente, mas é bom que fique claro que o Corinthians não precisa de Adriano, se alguém precisa de alguém, é o jogador que precisa do Corinthians. O elenco alvinegro não depende mais da presença do ex-imperador, pois agora tem o jovem Élton. Bom atleta, com vontade de mostrar seu futebol, Élton pode suprir muito bem a reserva de Liédson e quem sabe, jogar ao seu lado também.

Quanto a Adriano, que entenda que no futebol de São Paulo ele não tem o cartaz que tem no Rio. Suas falhas não serão perdoadas e ele não terá os mimos que esperaria ter. Pelas declarações dos membros da comissão técnica e diretoria corintiana, isso já ficou claro. Não haverá mais espaço para faltas. Que esse craque de bola entenda isso e volte a ter vontade de mostrar seu grande futebol.

A perigosa aproximação entre UFC e futebol

Charge faz ligação entre a luta do norte-americano Chad Mendes e o brasileiro José Aldo e o clássico carioca Vasco x Flamengo.

Por Caio Calazans

Primeiramente quero colocar minha opinião sobre o UFC. Não acompanho o esporte, mas respeito quem gosta e principalmente os atletas que atuam. Não é à toa que o UFC cresce a cada dia e conquista milhões em dinheiro, patrocínios e audiência mundo afora.  A construção de sua marca tem sido bem feita num ambiente onde o profissionalismo é muito valorizado. Mas o que tenho visto acontecer é uma “carona” no futebol para tentar aumentar a popularidade de um esporte antes restrito aos assinantes de TV paga e praticantes de artes marciais nas academias brasileiras.

A estratégia inclui enfiar camisas de times de futebol brasileiros em lutadores e expor os mesmos ante a mídia como se fossem representantes dos times. Alguns clubes entraram na onda, abrindo academias e fechando contratos para que os lutadores defendam suas cores nos eventos. O pensamento que transparece na mídia brasileira é o de que associar o UFC ao futebol aumentará sua popularidade no país, o que não deixa de ser algo palatável. Mas revela a falta de criatividade para a divulgação do esporte, que usa o futebol como “muleta”, mesmo tendo força para andar com as próprias pernas.

A Rede Globo fez a maior ligação de todas, ao colocar seu principal narrador, Galvão Bueno, no comando das transmissões do UFC Rio. Isso pode parecer bonito na TV, mas a recepção de Galvão na arena dos eventos no Rio foi a pior possível. Recebido entre vaias e palavrões, justamente porque é visto como um estranho naquele ambiente. A novidade do UFC (para grande parte do público) boçaliza coberturas e retira a já pouca criticidade sobre o que se coloca no ar. E o resultado pode ser colhido em novas mortes ligadas ao futebol.

Infelizmente existem pessoas que não entendem o significado das palavras civilidade e tolerância. Infelizmente alguns veículos de imprensa dão destaque a rivalidades que são mentirosas e isso pode incitar ainda mais a violência, num país em que ano após ano pessoas são assassinadas brutalmente em incidentes ligados ao futebol. Infelizmente, não é todo mundo que tem discernimento suficiente para entender que lutador deve ficar dentro do ringue. Mas afinal, onde entra a responsabilidade do jornalismo esportivo com o interesse público?

Não é preciso ir muito longe. Na última rodada do brasileirão 2011 confrontos com mortos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e briga entre torcedores do Corinthians e a tropa de choque da Polícia Militar em São Paulo. Será que os veículos de comunicação que estamparam as “rivalidades” entre lutadores exibindo camisas de times rivais se lembraram daquelas mortes ou de outras acontecidas num passado não muito longínquo?

Até quando parte da mídia esportiva vai tirar o corpo fora de sua responsabilidade ante ao que veicula? Futebol é futebol e UFC é UFC, não misturemos as coisas, não transportemos rivalidades e sentimentos inerentes de um para o outro. Aqueles que o fazem, que tenham plena consciência de sua responsabilidade em novos casos de violência que haverão de vir, pois eles não param. Graças à incompetência punitiva do poder público brasileiro.

Para construir uma sociedade menos violenta, todos temos de fazer a nossa parte. E o jornalismo esportivo deve ter em mente o tamanho de seu alcance.

Inter se levanta para o “Derby della Madonnina”

Apesar dos boatos, Sneijder não saiu da Inter e está de volta para o derby.

Por Caio Calazans

Depois do título mundial e da saída de José Mourinho, a Internazionale passou por um período obscuro. Resultados ruins, atuações decepcionantes, ameaça de perder grandes jogadores, como o holandês Sneijder, carrasco do Brasil na última Copa do Mundo. Na temporada posterior ao título mundial, a Inter perdeu o Scudetto, perdeu a Liga dos Campeões e a Supercopa Européia. O único título na última temporada foi a Copa da Itáila.

O futebol decaiu muito. Na temporada atual, a Inter já perdeu seis partidas e chegou a ostentar a pior defesa do Calcio. Mas uma nova onda de bons resultados vem contagiando o lado azul de Milão. Com cinco vitórias seguidas, a equipe de Cláudio Ranieri se prepara para o primeiro Derby do ano, domingo contra o Milan, em San Siro. O rival está oito pontos à frente da Inter (quinta colocada), é o líder do campeonato e tem apresentado bom futebol. Além disso, os milanistas receberam nesta semana a ótima notícia da permanência de Alexandre Pato. Em compensação, Os Nerazzurri podem contar com a volta do craque do time, Sneijder, que tem tido seu desempenho comprometido por contusões frequentes. Você apostaria suas fichas em quem?

Acabou a moleza! É hora dos Estaduais 2012

Marcelinho Paraíba, de contrato renovado, é uma das esperanças do Sport Recife em busca do título em Pernambuco. (Foto: Divulgação / Site Oficial do Sport)

Por Vinícius Lecci

Charmosos, tradicionais e disputados, assim se definem os campeonatos estaduais de futebol espalhados pelo Brasil. Prato cheio para acirrar as rivalidades locais, os campeonatos regionais são fundamentais para a sobrevivência do futebol do interior do país. Times de pouca expressão e que passam a maior parte da temporada à sombra das principais divisões do futebol brasileiro tem nesses torneios a chance de brilhar nos holofotes da grande imprensa brasileira.

Há quem diga que são desnecessários, que são inchados e que acabam prejudicando o calendário do futebol nacional, mas a verdade é que sem eles muitas equipes menores desapareceriam. Para os times grandes é apenas o início da preparação para uma longa temporada, mas quando chegam os clássicos o bicho pega! Afinal, qual torcedor não gosta de uma bela vitória contra o maior rival? O Caixa Preta preparou uma série especial com alguns dos principais estaduais do país… É rivalidade pura em campo!

Campeonato Pernambucano 2012

O Campeonato Pernambucano 2012 promete ser um dos mais disputados do país. Com dois times de volta à Série A e outro retornando à Série C, após conhecer as trevas da última divisão do futebol nacional, o regional da terra do frevo tem tudo para pegar fogo! Após duas temporadas Sport e Náutico voltaram juntos à divisão de elite do futebol brasileiro. Já o Santa Cruz, melhor média de público do Brasil em 2011, conquistou o acesso à Série C do Brasileirão.

O maior campeão da história do torneio é o Sport Club do Recife, com 39 canecos conquistados, seguido pelo Santa Cruz, que tem 25 conquistas regionais e pelo Náutico, com 21 troféus. Em 2011, o Santa Cruz sagrou-se campeão pernambucano, após bater o rival Sport na decisão. Uma peculiaridade do pernambucano é que o regional é um dos poucos do país que nunca foi conquistado por uma equipe do interior do Estado.

O regulamento é simples: doze equipes se enfrentam em turno e returno e apenas os quatro melhores avançam para as semifinais, disputadas em jogos de ida e volta. A partir daí, os dois vencedores decidem, também em dois jogos, quem será o campeão. Por lá, o trabalho começa cedo e a primeira rodada já está marcada para o próximo dia 15 de janeiro.

Campeonato Mineiro 2012

O Campeonato Mineiro 2012 começa apenas no dia 29 de janeiro e os grandes favoritos são os dois gigantes do futebol mineiro. Assim como nos últimos seis anos, a disputa deve ficar entre Cruzeiro e Atlético-MG. Apesar disso, é importante se ressaltar que neste ano serão cinco campeões estaduais na disputa: além dos dois grandes – o Atlético-MG é o maior campeão, com 40 títulos, contra 37 do Cruzeiro –, América-MG, Caldense e Vila Nova-MG já conquistaram o principal torneio do Estado.

Segundo o regulamento do Mineirão-2012, doze equipes se enfrentam em turno único e os quatro melhores classificados se qualificam para jogar semifinais e finais, ambas em mata-mata com jogos de ida e volta. Um das principais novidades do futebol mineiro em 2012 será a reabertura do estádio Independência, do América-MG. Após penar em 2011 mandando seus jogos na distante Arena do Jacaré,em Sete Lagoas, Cruzeiro e Atlético-MG poderão voltar a atuar na capital mineira.

Campeonato Gaúcho 2012

Por lá a rivalidade extrapola os limites dos gramados. Como se diz nas terras gaúchas, metade do Estado é azul e a outra é colorada. Grêmio e Internacional-RS entram no Gauchão-2012 como favoritos e a cada estadual um novo capítulo de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro é escrito.

O regulamento no Rio Grande do Sul é um pouco diferente da maioria dos estaduais do país. No Gauchão, que começa em 21 de janeiro, dezesseis equipes se dividem em dois grupos e jogam duas fases. Na primeira os times de um grupo enfrentam os do outro e os quatro melhores de cada chave avançam às quartas-de-final, semis e final, sucessivamente e em jogo único. Na segunda fase o regulamento é o mesmo, mas as equipes se enfrentam dentro de seus grupos. Definidos os campeões dos dois turnos, há então as finais, em jogos de ida e volta. Se a mesma equipe conquistar os dois turnos conquista a taça automaticamente, sem necessidade dos jogos finais.

Os maiores campeões estaduais são os dos maiores rivais. Enquanto o Inter é o maior campeão do Estado, com 40 títulos conquistados, o Grêmio conquistou 36 canecos. Uma curiosidade é que nos últimos 11 anos o título ficou sempre nas mãos dos rivais: sete títulos do Colorado, inclusive o último, em 2011, e quatro dos gremistas. O último campeão estadual que não fora um dos dois grandes do Rio Grande foi o Caxias, campeão em 2000.

Campeonato Paranaense 2012

O campeonato paranaense 2012 já começa com um grande favorito: o Coritiba. Uma das grandes sensações do futebol brasileiro em 2011, o time do técnico Marcelo Oliveira foi vice-campeão da Copa do Brasil e fez boa campanha no Campeonato Brasileiro. Seus rivais eternos do Atlético Paranaense caíram para a série B enquanto o Paraná Clube fez campanha pífia na Série B, sem chances de voltar à primeira divisão.

Atual bicampeão paranaense, o Coritiba é também o maior campeão do Estado. Com 35 títulos conquistados, o Coxa segue na frente dos rivais Atlético-PR, que tem 22 títulos, e Paraná Clube, com 7 conquistas.

Segundo o regulamento do torneio, doze equipes se enfrentam em turno e returno e os dois campeões de cada fase se enfrentam na grande decisão. Vale lembrar que os pontos são zerados ao final do primeiro turno. Caso o campeão dos dois turnos for o mesmo, a equipe sagra-se campeã automaticamente. Caso contrário, a final será disputada em jogos de ida e volta. O Campeonato Paranaense 2012 começa no dia 22 de janeiro.

De novo ele…

Até onde chegará o camisa 10 do Barça?

Por Caio Calazans

Lionel Messi

Quem dizia que Neymar era mais jogador que Messi durante o ano de 2011, se calou após o banho de bola que o Santos tomou no Japão. Neymar pode se tornar maior que Messi um dia, mas hoje ainda tem muito a percorrer.

O camisa 10 do Barcelona parece não ter mais freios, foi escolhido pela quarta vez o melhor jogador do mundo (juntando-se os prêmios da France Football e da FIFA, unificados em 2010). Messi entra no rol dos fora de série, colocando-se no mesmo patamar de estrelas que venceram mais de uma vez. Nomes do porte de Michel Platini (3), Ronaldinho Gaúcho (3), Marco Van Basten (4), Ronaldo (5) e Johan Cruijff (3).

Em termos de títulos, só falta ao argentino a consagração vestindo a camisa da Argentina. Isso é o que diferencia Messi dos grandes nomes do futebol mundial. Pelé, Beckenbauer, Platini, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Van Basten, Maradona e Cruijff marcaram época envergando o escudo de seu país no peito, coisa que Messi ainda está longe de fazer.

Quem sabe em 2014…

Homare Sawa

A veterana atacante japonesa já havia marcado a história do futebol de sua terra natal, ao vencer a Copa do Mundo Feminina na Alemanha, ano passado. O título de melhor jogadora do mundo coroa uma carreira dedicada à seleção. Sawa veste a camisa do Japão desde 1993 e já contabiliza mais de 170 jogos e cinco Copas do Mundo na equipe do sol nascente.

Os cinco gols marcados por ela durante a campanha vencedora que surpreendeu boa parte do mundo em 2011, tornaram a escolha do prêmio ainda mais merecida. Sobretudo porque Marta não brilhou tanto na mesma competição e o Brasil fez papel secundário novamente. E sabemos que no fundo, no fundo, a Copa do Mundo (seja ela masculina ou feminina), tem um peso muito importante nessa escolha.

Neymar

O gol mais espetacular do ano foi dele. Marcado justamente jogo mais fantástico do último Campeonato Brasileiro. Um grande prêmio para um jovem que pode se tornar figurinha carimbada nas próximas premiações da FIFA. Futebol pra isso ele tem de sobra.

Welcome home Thierry!

Maior artilheiro do Arsenal, Thierry Henry voltou e meteu mais uma na rede, para delírio dos Gunners. (Foto: Dailymail.co.uk)

Por Caio Calazans

Foi do jeito que a torcida vermelha e branca sonhava. Depois de 4 anos e meio longe do clube onde se tornou o maior artilheiro, Thierry Henry voltou a chacoalhar o Emirates Stadium, a casa do Arsenal. O francês entrou em campo pela FA Cup, frente ao Leeds United e fez o gol que classificou os Gunners para a próxima fase.

Com 34 anos, já sem o mesmo arranque e porte físico de outrora, Henry provou que o faro de gol permanece intacto. O agora camisa 12 entrou em campo aos 22 minutos da etapa final e pouco mais de dez minutos depois recebeu um lindo passe de Song. Thierry não teve dúvida, olhou para o goleiro e deu um tapa sem dó para o outro lado: gol e a redenção…

Agora Henry amplia ainda mais a vantagem como maior artilheiro da história do Arsenal, com 227 gols. Quem é rei nunca perde a majestade.

Meia muçarela, meia calabresa?

Por Caio Calazans

As acusações feitas pelo árbitro Gutemberg de Paula Fonseca põem em xeque novamente o comando da arbitragem nacional. Preterido da escolha para árbitro FIFA, Fonseca não titubeou e acusou a Comissão de Arbitragem na figura de seu presidente Sérgio Correa, embora não tenha apresentado  até o momento nenhuma prova concreta. O árbitro reclamou dos critérios para escalas de jogos ou promoções (incluindo o escudo FIFA) e acusou abertamente Correa de corrupção.

Segundo Gutemberg, não era só o desempenho dentro de campo que contava para conseguir ascenção dentro da arbitragem nacional, o que é bem preocupante. Considerando que pelo tamanho e qualidade do futebol brasileiro, a arbitragem deixa a desejar. Temos poucos nomes de qualidade que sobrevivem em meio a dezenas de juizes meia-boca que vivem estragando jogos Brasil afora.

As acusações são graves, mas o tempo que demoraram para aparecer levanta dúvidas. Se havia indícios de corrupção, porque demorar tanto para revela-los? Porque só agora que perdeu o escudo FIFA? Se fosse o escolhido para ser árbitro FIFA, Gutemberg se calaria? Afinal o juiz carioca afirma ter um dossiê que provaria suas acusações. Se esse documento existir de fato, deve vir a público. Ou será esta mais uma daquelas denúncias em que todos falam, ninguém prova nada, não há punição e segue tudo como está?

Se esse dossiê existir, ele foi feito para que? Acusar e buscar corrigir as falhas e possíveis desvios de conduta na arbitragem nacional ou se tornar ferramenta de chantagem no momento oportuno?

A arbitragem brasileira precisa de renovação, principalmente em seu quadro diretivo. Não é de hoje que temos mandado árbitros que claramente não são os melhores para apitar representando o Brasil. Por outro lado, árbitros com boa qualidade não conseguem ascender na carreira, ficando atrás daqueles que dão tapinhas nas costas e sorrisos falsos nos bastidores, mas de apito entendem bulhufas.

Gutemberg de Paula Fonseca não é o primeiro árbitro a reclamar da condução e dos critérios da Comissão de Arbitragem. O que me leva a crer que algo de podre existe naqueles corredores. Infelizmente o futebol nacional é comandado por uma ditadura em que poucos decidem o destino de muitos. O cheiro podre pode continuar fazendo arder nossas narinas e nos causando asco, até descobrirmos que na verdade se trata é de uma bela pizza.

2012 – O ano do sonho dourado?

A seleção brasileira medalha de prata em Seoul 1988. Em pé: André Cruz, Taffarel, Luiz Carlos Winck, Batista, Aloísio e Ademir; Agachados: Milton, Edmar, Careca, Geovani e Romário

Por Caio Calazans

O futebol brasileiro é o maior vencedor no mundo, certo? Errado. Quando o negócio é Olimpíada, a camisa canarinho fala bem baixo no ranking mundial. No ranking do futebol masculino, o Brasil enverga hoje uma modestíssima (para não dizer vergonhosa) 19ª posição, atrás de “potências” como a Nigéria, Bélgica, Hungria, Polônia e Camarões. Entre as seleções que já venceram uma Copa do Mundo, o Brasil só fica à frente da Alemanha, que conquistou apenas uma medalha de bronze.

Teremos em Londres 2012 um time recheado de promessas como Neymar, Lucas, Oscar, Leandro Damião e Paulo Henrique Ganso. Depois que Ney Franco fez o “trabalho sujo”, vencendo o sulamericano e o mundial sub-20, Mano Menezes vai assumir na hora do filé e posar com a medalha no peito, caso vença. O sonho dourado brasileiro já começou e 2012 pode ser o ano sagrado do futebol olímpico nacional. O problema é que nem sempre isso funciona. Outros astros brasileiros de renome voltaram sem o ouro. Confira as medalhas já conquistadas pelo futebol nacional:

Los Angeles 1984 – Medalha de prata

A caótica organização do futebol brasileiro aliada ao pouco interesse dos clubes e dirigentes com a competição, obrigou o então técnico Jair Picerni a convocar 11 jogadores do Internacional, então já eliminado da disputa do Campeonato Brasileiro. Atletas como Luis Carlos Wink, Gilmar Rinaldi, Dunga (ele mesmo!), Mauro Galvão e Milton Cruz (hoje auxiliar técnico do São Paulo), foram alguns dos protagonistas da primeira medalha olímpica brasileira.

E não foi fácil não. Naquele tempo, não havia limite de idade e as seleções podiam atuar com suas equipes profissionais. Logo na primeira fase, a seleção caiu no mesmo grupo da Alemanha. Nas semifinais teve que passar pela Itália com Baresi e Walter Zenga e na final enfrentou a França. O moral dos franceses, campeões europeus naquele ano, estava alto e eles levaram a melhor. Venceram o Brasil por 2 a 1, diante de mais de 100 mil pessoas no Rose Bowl.

Seoul 1988 – Medalha de prata

Na Olimpíada seguinte, o Brasil levou um time muito mais forte. Grandes atletas como André Cruz (ex Zagueiro do Flamengo e do Milan), Careca (ex-Cruzeiro e Sporting-POR), Valdo (ex-Grêmio, PSG-FRA, Benfica-POR e Cruzeiro), Ricardo Gomes (hoje no comando do Vasco) e Neto (ídolo corintiano e hoje comentarista da TV Bandeirantes). Além deles, o técnico Carlos Alberto Silva teve à sua disposição uma lista de jogadores que viriam a ganhar o tetracampeonato mundial em 1994: Taffarel, Jorginho, Mazinho, Bebeto e Romário.

Desta vez, a primeira fase foi moleza. O Brasil atropelou Nigéria, Austrália e Iugoslávia. Na fase final, vitória emocionante sobre a Argentina e um jogo lendário contra a Alemanha na semifinal. Com empate em 1 a 1 no tempo normal e vitória brasileira nos pênaltis por 4 a 3. Taffarel começou a construir sua longa carreira na seleção pegando três pênaltis, um no tempo normal e dois na disputa final. Na decisão, a seleção não resistiu ao forte time da União Soviética e perdeu na prorrogação por 2 a 1. Confira abaixo todos os gols da campanha brasileira na narração do mestre dos mestres, Sílvio Luiz.

Atlanta 1996 – Medalha de bronze

A partir de 1992, o Comitê Olímpico Internacional e a FIFA decidiram permitir apenas três jogadores com mais de 23 anos na competição, o formato é seguido até hoje. Mesmo assim, o time comandado por Zagallo contava com atletas do porte de Ronaldo (ex-, Barcelona-ESP, Real Madrid-ESP, Cruzeiro e Corinthians), Dida (ex-Corinthians, Cruzeiro e Milan-ITA), Luizão (ex-Corinthians, Palmeiras e São Paulo), Aldair (ex-Flamengo e Roma-ITA), Roberto Carlos e Rivaldo.

Apesar do time forte, penamos desde o início. Na primeira fase, derrota para o Japão e vitórias suadas sobre Nigéria e Hungria. Nas quartas, superamos com tranquilidade Ghana por 4 a 2. Na semifinal a decepção: perdemos para a Nigéria na prorrogação. Os nigerianos ficariam com o ouro, vencendo a Argentina na final. O Brasil enfiaria uma chinelada de 5 a 0 em Portugal, terminando com o bronze.

Pequim 2008 – Medalha de bronze

Depois do vexame de ficar fora de Atenas 2004, a seleção voltou à disputa na última olimpíada. Sob a batuta do medalhista em 1984, Dunga. A equipe tinha como destaques os garotos Thiago Silva e Alexandre Pato (Milan-ITA), Ramires (Chelsea-ING), Thiago Neves (Flamengo) e Rafael Sóbis (Fluminense). O líder em campo era o já astro Ronaldinho Gaúcho (Flamengo).

Inicialmente tranquilidade total, três vitórias. Nas quartas, superamos Camarões e na semifinal, tomamos uma sapecada de 3 a 0 da Argentina. Na decisão da medalha de bronze, o Brasil passou fácil pela Bélgica por 3 a 0. Na final, os argentinos bateram a Nigéria e vingaram a derrota de 1996.

O fim de uma era no gol alviverde

Marcos encerra uma das mais vitoriosas e importantes carreiras do futebol brasileiro e mundial (Foto: Divulgação)

Por Vinicius Lecci

Aos 38 anos de idade, muitas dores, um pentacampeonato mundial no currículo e a beatificação por parte da torcida palmeirense, Marcos Roberto Silveira dos Reis encerrou uma era no futebol brasileiro. Marcos se reapresentou ontem na Academia de Futebol junto ao elenco alviverde e, após conversa com o gerente de futebol César Sampaio, decidiu por fim a uma das mais importantes carreiras do futebol brasileiro.

Campeão do mundo em 2002 com a seleção brasileira e da Copa Libertadores pelo Palmeiras, em 1999, Marcos ganhou o título de “São Marcos” após se especializar em defender pênaltis. Ganhou também a simpatia e admiração de torcedores de todas as equipes. Marcos sempre foi espontâneo. Nunca pensou antes de falar e por isso deu polêmicas declarações ao longo da carreira.

Grande entrevistado e ótimo contador de “causos”, como se fala em Oriente, cidade onde nasceu, no interior de SP, Marcos convivia com as dores há tempos. Na última temporada, por exemplo, Marcos jogou apenas 27 dos 69 jogos disputados pelo Palmeiras na temporada. Seguidas lesões nas mãos, no ombro, na coxa e no joelho interromperam a carreira de uma dos maiores goleiros da história do futebol mundial. Um dos maiores ídolos da história do Palmeiras e que chegou até a rejeitar uma proposta milionária do Arsenal para disputar a Série B do Brasileirão pelo time alviverde.

SANTO DE CASA FAZ MILAGRES

Segundo sua última renovação de contrato com o Palmeiras, Marcos deverá continuar trabalhando no clube por mais dois anos. A princípio, o goleiro ganhou mais dois meses de férias e deve decidir seu futuro quando retornar. Seja na administração do clube, ou na comissão técnica, o certo é que Marcos deve continuar nos bastidores do clube que aprendeu a amar e onde se acostumou a ser amado. E a torcida do Palmeiras que o beatificou, acaba de ganhar mais uma lenda para sua extensa galeria de ídolos.

Euro 2012, aperitivo para a Copa 2014?

Por Caio Calazans

Quatro grupos, dezesseis seleções e o domínio do futebol europeu em jogo. Apesar da crise que assola os países da zona do Euro, no futebol as coisas vão bem para algumas seleções de países ameaçados econômicamente. Grécia, Alemanha, Inglaterra e Itália fazem parte do grupo que não perdeu nas eliminatórias. A outra seleção invicta até aqui é a campeã do mundo Espanha.

A Euro 2012 será a principal competição de seleções do ano e tem tudo para ser espetacular. Todas as principais seleções européias colocarão em campo suas melhores peças e provavelmente, muitas que estarão aqui no Brasil em 2014. Portanto é bom ficar de olho, viu Mano?

Confira os grupos, os times e alguns dos principais jogadores da maior competição européia de seleções:

Grupo A

Polônia
Grécia
Rússia
República Tcheca

Visto com bons olhos pelos poloneses, o grupo não conta com nenhuma potência atual do futebol no continente e teoricamente, poderia ser mais fácil para os donos da casa se classificarem. Mas a tarefa não será nada fácil, pois Rússia e a Grécia tem bons times e são favoritas à classificação. Os gregos não perderam nas eliminatórias e os russos também fizeram boa campanha, além de terem sido semifinalistas na última Euro. Além disso, na última Euro a Polônia amargou a última posição em seu grupo e não venceu nenhuma partida.

FIQUE DE OLHO: Alan Dzagoev, a jóia do CSKA Moscou. Meia ofensivo jovem e com rara habilidade, será uma das grandes esperanças da Rússia na competição.

Favoritos para classificação: Grécia e Rússia

Grupo B

Holanda
Dinamarca
Alemanha
Portugal

Muitos o chamam de grupo da morte. Particularmente gosto deste tipo de disputa, quatro equipes, duas vagas e três times fortes brigando. A Alemanha foi a sensação das eliminatórias, foram dez jogos, dez vitórias e a impressionante marca de 34 gols. A base mistura jogadores experientes e jovens talentos. Atravessa mais uma etapa para ganho de experiência, após o vice-campeonato na Euro 2008 e a campanha surpreendente na Copa 2010. Fiquemos de olho nos alemães, eles serão um adversário duro de ser batido na Copa 2014.

Mesmo com o ataque avassalador dos alemães, é da Holanda o artilheiro das eliminatórias e também o melhor ataque: 37 gols em dez partidas. Klas Jaans Huntelaar (Schalke 04-ALE) marcou 12 gols em apenas oito partidas e se afirma como titular do ataque dos vice-campeões mundiais. Portugal contará com os talentos galáticos Cristiano Ronaldo, Pepe, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão para tentar se classificar para a fase final. A Dinamarca também chega à disputa em igualdade de condições com Portugal, buscando uma vaga no tropeço de Holanda ou Alemanha.

FIQUE DE OLHO: Mario Gotze, a nova sensação do futebol alemão. O jovem meia é considerado como a maior revelação do futebol europeu nos últimos anos e até gol contra o Brasil ele marcou em 2011.

Favoritos para classificar: Alemanha e Holanda

Grupo C

Espanha
Itália
Irlanda
Croácia

Duas grandes forças se encaram também neste grupo. A campeã do mundo Espanha e a Itália, as duas invictas nas eliminatórias. Apesar da qualidade superior, nem o selecionado dirigido por Vicente Del Bosque, nem a Azurra de Cesare Prandelli podem descuidar de Irlanda e Croácia.

Enquanto a seleção espanhola colocará em campo um futebol baseado na proposta tática vencedora do Barcelona para tentar vencer sua terceira Euro e igualar os maiores campeões (Alemanha), italianos buscam sua segunda conquista, já que a Azzurra só venceu em 1968.

FIQUE DE OLHO: Mário Balotelli, o maior craque de todos os tempos da última semana. O jovem atacante italiano sempre teve a auto-estima afiadíssima, a Euro 2012 será um belo palco para ele provar que tem mesmo esse futebol todo.

Favoritos à classificação: Espanha e Itália

Grupo D

Ucrânia
Suécia
Inglaterra
França

Se a Polônia pode “comemorar” o fato de cair em um grupo sem nenhuma potência, a Ucrânia deu azar em dobro. Com Inglaterra, França e a tradicional Suécia no mesmo grupo, a seleção que divide o posto de país sede dificilmente passará à fase final. Os ingleses tem a missão de apagar o vexame de 2008, quando nem passaram pelas eliminatórias.

Apesar de ainda não inspirar confiança em termos de qualidade, o selecionado comandado pelo italiano Fábio Capello alcançou um padrão de jogo levou a uma competitividade maior. A Inglaterra nunca venceu a Euro. Já a França ainda recolhe os cacos do vexame na Copa do Mundo e tenta formar finalmente uma base sólida buscar o tricampeonato europeu.

FIQUE DE OLHO: Sebastian Larsson, o grande parceiro de Ibrahimovic. O meia do Birmigham-ING tem boa técnica, visão de jogo e é forte nas bolas paradas, uma arma de primeira para acionar o talento de Ibrahimovic no ataque sueco.

Favoritos para a classificação: Inglaterra e França

O que esperar de 2012?

Por Caio Calazans

Prever o que vai acontecer no futebol brasileiro é algo impossível. O esporte bretão tem entre seus maiores atrativos a constância com que desmente favoritismos e derruba prognósticos. Mas há pistas que podem ajudar a entender o que pode acontecer na temporada de 2012. Algumas equipes fizeram um trabalho mais constante e tiveram um planejamento que se provou mais acertado ao longo de 2011. Dentre os grandes do sudeste, Corinthians, Santos, Fluminense e Vasco parecem um passo na frente. Essas equipes já tem uma base, não fizeram trocas de comando e não se desfizeram de suas principais peças.

Mas outras equipes estão se mexendo e podem surpreender em 2012. São Paulo e Grêmio por exemplo, já apresentaram alguns jogadores e pretendem apagar as más lembranças de 2011. Confira abaixo o que o Caixa Preta destaca sobre as principais equipes nacionais para a temporada 2012.

Corinthians

Adriano, a grande incógnita corintiana para 2012 (Foto: Divulgação)

Com um dos melhores elencos do país, tudo indica que o alvinegro paulista deve continuar entre as mais fortes equipes brasileiras em 2012. As movimentações do mercado do futebol não devem fazer grandes estragos no elenco corintiano e o clube promete manter a base vencedora de 2011. Mas para brigar fortemente na Libertadores, o Corinthians precisa de reforços e principalmente de Adriano. Em forma, o atacante faz diferença por sua capacidade técnica e física. Mas a dúvida que paira na cabeça do corintiano é justamente essa: Adriano entrará em forma a tempo de jogar a temporada 2012?

Palmeiras

Quer esquecer 2011, 2010, 2009, etc. Sem títulos, com elenco modesto, pouco dinheiro para contratar e com fissões administrativas flagrantes, o Verdão vem passando ano a ano à condição de mero coadjuvante no futebol paulista. A contratação de César Sampaio  para gerir o futebol alviverde juntamente com uma renovação no departamento de futebol foram as ações tomadas no fim de 2011 e que podem dar início a uma mudança de rumo no Palmeiras.

São Paulo

Terminando o ano com pacotão de reforços e projetando uma temporada ‘brigadora’, como declarou Juvenal Juvêncio. O presidente são-paulino foi inteligente, pois sabe que o tricolor está em um processo de montagem de time. Não há como se colocar como favorito a títulos, pois existem outras equipes já estruturadas e entrosadas. Leão sabe trabalhar uma equipe e parece ser neste momento o técnico ideal para o São Paulo. Com reconhecido talento para lidar com jovens jogadores, o técnico tem em suas mãos atletas de talento que podem dar “corpo” a uma forte equipe. Resta saber se Leão terá o respaldo que Ricardo Gomes e Adílson Batista não tiveram e se seus arroubos de personalismo entrarão em choque com as fortes personalidades do presidente tricolor e do líder do elenco: Rogério Ceni.

Santos

Depois da bordoada que levou do Barcelona, o Santos pode ter uma grande baixa já no início do ano. As especulações começam a confirmar o que muitos já desconfiavam: o clube pode mesmo perder Paulo Henrique Ganso. Sem o camisa 10, o meio-campo santista sofre um duro golpe, dificílimo de recuperação. No entanto, com ou sem Ganso, o Santos tem uma forte equipe e deve continuar brigando entre as mais fortes equipes do futebol nacional. Ao que tudo indica, o vice-campeão mundial deve entrar forte na Libertadores para voltar ao Mundial e tirar da garganta o caroço que engasgou no fim de 2011.

Portuguesa

Voltando a figurar entre as principais equipes do país, o maior desafio da Lusa é não repetir o que fez em 2008: ser rebaixado na mesma temporada da subida à primeira divisão. Para isso, a Portuguesa precisa qualificar o elenco campeão e evitar de perder peças importantes. Uma boa campanha no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil pode ser o início de uma temporada de sucesso no Brasileirão.

Botafogo

Andrezinho vestiu a camisa do Botafogo e promete ser destaque em 2012 (Foto: Divulgação Site Oficial Botafogo)

Apesar da queda de rendimento no segundo semestre, o Botafogo mostrou uma equipe razoavelmente boa, com destaques individuais importantes como Elkesson, Cortês, Loco Abreu e Renato. Já desembarcaram em General Severiano o técnico Osvaldo Oliveira e o meia Andrezinho (ex-Internacional), mas é preciso mais. Manter a administração profissional, as ações de maketing e a busca por rendas maiores no Engenhão devem ser os objetivos do Fogão para estar mais forte em 2012.

Flamengo

O ano começou com tudo para o rubro-negro. Título invicto no Campeonato Carioca e um início arrasador no Brasileirão: 16 jogos sem perder e Ronaldinho Gaúcho como artilheiro no geral. No fim das contas, a quarta colocação no nacional deu uma vaga à libertadores. Com a experiência de Luxemburgo e o talento de Ronaldinho Gaúcho, o Mengão entrará em 2012 buscando glórias maiores, mas precisa qualificar mais seu elenco, que mostrou deficiências na reta final de 2011.

Fluminense

Depois da fraca campanha na Taça Libertadores, o Fluminense entrou numa espiral negativa e só voltou a se estruturar com a chegada de Abel Braga. Com Braga no comando, o Fluzão fez a melhor campanha do segundo turno no Brasileirão e brigou pelo título até a penúltima rodada. O que o torcedor tricolor espera é que o time comece 2012 no mesmo ritmo que terminou 2011. Se fizer isso, o Fluminense será um adversário duríssimo na próxima temporada.

Vasco

A grande surpresa de 2011 foi o Vasco. Uma equipe em que poucos apostavam suas fichas e que por pouco não fechou o ano com três títulos de grande importância. Não perder peças importantes como o zagueiro Dedé, o meia Diego Souza e o atacante Éder Luís já é um bom começo. Com a experiência de Juninho Pernambucano e Felipe e o comando de qualidade de Cristovão Borges e Ricardo Gomes, o Vasco promete. Se  reforçar sua equipe, o Vasco pode fazer muito mais em 2012.

Atlético Mineiro

Depois de 4 temporadas de sucesso no futebol mexicano, o meia Danilinho voltará ao Atlético em 2012. (Foto: André Brant - Lance)

Tudo ao contrário do que tem sido nos últimos anos. Isso é o que sonha o torcedor atleticano. Goleadas vexatórias, campanhas pífias, verdadeiras guerras contra o rebaixamento, elencos inchados e mal montados, técnicos chegando e indo embora; tudo bem longe do que merece a gloriosa camisa do Galo mineiro. Ao que parece o Atlético optou por não mexer muito em seu elenco, manter a base e reforçar a equipe, mantendo o comando técnico de Cuca. O passo parece correto, mas é preciso respaldo ao trabalho e paciência para colher frutos.

Cruzeiro

Apesar do título mineiro, a temporada de 2011 foi para o cruzeirense esquecer. A queda brusca e a briga contra o rebaixamento levaram o Cruzeiro a desmentir todo o favoritismo que era seu no início do certame. A perda iminente de jogadores importantes como Montillo e Fabrício bem como a saída de Zezé Perrela, homem forte dentro e fora do clube; enche o futuro celeste de incertezas. Vágner Mancini é bom treinador, porém inexperiente com as pressões de um grande clube e precisa do apoio da diretoria. Fora da Libertadores, o Cruzeiro terá de encontrar um novo caminho e um novo time em 2012.

Internacional

Cantado como a “bola da vez” em 2011, o Internacional decepcionou a todos. Era favorito na Libertadores e caiu logo nas oitavas. No Brasileirão, aparecia ao lado de Santos e Cruzeiro como um dos principais favoritos no início da competição, mas terminou numa modesta quinta colocação, sem ter brigado pela taça em nenhum momento. As incertezas perduraram no comando técnico com a malfadada e confusa “era Falcão”. Com a chegada de Dorival Júnior, o Colorado ganhou corpo e conquistou a última vaga para a Libertadores 2012. Ao que tudo indica, o clube deve manter a base de seu elenco e promete se manter forte na próxima temporada.

Grêmio

O talentoso volante Léo Gago (ex-Coritiba) é um dos reforços gremistas para 2012. (Foto: Site Oficial do Grêmio)

Um ano para o gremista esquecer. Derrota no Gauchão para o Inter nos pênaltis, duas derrotas e a desclassificação nas oitavas da Libertadores e uma campanha fraquíssima no Campeonato Brasileiro. Não bastasse a confusão no comando técnico, o elenco tem indefinições e não existe uma base de equipe no Olímpico. O grande desafio de Caio Júnior, o novo técnico gremista, será desenhar uma base para que o tricolor gaúcho volte a disputar títulos em 2012.

Os segredos do Barcelona

O treinador do Barça, Pep Guardiola (à dir), se reúne em sua sala com diretores de La Masia, procedimento corriqueiro. (Foto: Divulgação – Site Oficial Barcelona)

Por Caio Calazans

Show de bola na final do Mundial 4 a 0 inapeláveis ante um Santos que parecia uma equipe de várzea impotente dentro de campo. Uma vitória esperada para um time com a alcunha de “melhor do mundo” antes mesmo da bola rolar. O resultado em si não surpreendeu, o que não esperávamos nós brasileiros era a postura apática e medrosa do Santos Futebol Clube, que passou a maior parte do jogo assistindo o Barça girar a bola de um lado para o outro.

Por mais estranho que possa parecer, isso não é demérito dos santistas. Grandes equipes do futebol mundial já estão acostumadas a sofrer nas mãos dos catalães. Real Madrid, Manchester United, Milan, Arsenal todos sentiram o gosto do futebol de toques rápidos, excelência no passe e rara habilidade. Mas o que torna esta equipe catalã tão especial, quase invencível? O talento de seus jogadores? A qualidade individual? O planejamento de elenco? Suas categorias de base?

Tudo isso, mas nada disso. É a filosofia de futebol do Barça que faz o clube ser diferente. Ao ver programas esportivos brasileiros questionando se nós brasileiros desaprendemos o futebol arte e o clube catalão se apropriou disso, escancara-se a enorme ignorância dos jornalistas brasileiros sobre o que é o Barcelona. O simples estudo do lema do clube já desvenda muita coisa: Mais que um clube.

O trabalho desenvolvido lá não envolve somente o profissional. A escola de craques ou La Masia engloba as categorias de base, escolas internacionais e os Barcelona Camps. Tudo isso obedece a uma só direção: a filosofia de futebol do Barcelona. Não importa se ganha ou se perde, se joga mal ou bem; a filosofia é sempre seguida em todas as equipes do clube, desde os meninos de 7 anos até os profissionais.

O sucesso do Barcelona está fincado em bases muito sólidas, trabalhadas há décadas e que tem tudo a ver com a cultura do clube desde seus primórdios. Abaixo seguem alguns dos pilares fundamentais no trabalho do campeão do mundo:

Formação:

Diferentemente de outros clubes, o Barcelona joga sempre na mesma formação uma espécie de 4-3-3 fundamental, com variações pontuais de acordo com os adversários. O jogo é baseado em toques rápidos e movimentação constante de jogadores. Desde as equipes de crianças até os profissionais, procura-se praticar a mesma cultura tática, para que os jovens obtenham mais facilidade para se adaptar ao time principal quando preciso for.

Para o clube, três aspectos são fundamentais no desenvolvimento de um jogador: Controle de bola, passe e chute. Todo o trabalho de base prioriza essas habilidades, apoiado justamente no estilo de jogo da equipe. Além disso, nas escolas de futebol, são ensinados e reforçados conceitos de fair play, respeito aos adversários, incentivo ao estudo e ao desenvolvimento pessoal de cada atleta, visando formar homens e não apenas jogadores de futebol.

Final da última Liga dos Campeões contra o Manchester United. Vê-se claramente o 4-3-3 na formação inicial.
No último clássico ante o Real Madrid, a entrada de Fábregas no meio. No segundo tempo, Guardiola recuou Busquets e mandou Puyol à lateral direita. Daniel Alves foi alçado à condição de ponta e aí o time do Mourinho baixou as calças e tomou uma chinelada de 3 a 1, sob os olhares de sua torcida.
Contra o Santos, Daniel Alves já entrou “descarado” na ponta direita, com o apoio de Fábregas. Léo (lateral esquerdo do Santos) já voltou ao Brasil, mas não achou Daniel Alves até o momento.

A filosofia:

O time: Toda a equipe está envolvida num sistema de jogo comum, com processos coletivos calcados na filosofia de jogo do clube.

Objetivos: Todos os jogadores se movimentam de forma ordenada, buscanto o objetivo  tático comum da equipe. Todos caminham na mesma direção.

Integração total: O técnico da equipe principal (hoje Pep Guardiola) e sua comissão técnica, mantém-se constantemente informados e seguem continuamente a evolução dos jogadores das categorias de base.

Um único futebol: Todas as equipes treinam e jogam seguindo os mesmos conceitos  táticos. Da equipe principal até os atletas sub7.

Adaptação ao Perfil: Todo jogador contratado (seja para o time principal ou para La Masia) deve se enquadrar no perfil tático do Barcelona.

Transição Cuidadosa: Todo atleta contratado deve receber todo o apoio do clube para sanar suas deficiências (financeiras, educacionais, moradia, etc), fazendo com que sua adaptação seja a mais tranquila possível.

Dá para aplicar no Brasil?

O cenário que vivemos no futebol brasileiro é muito diferente. Normalmente os clubes que mais revelam jogadores como Cruzeiro, São Paulo, Goiás, Santos, Internacional, Flamengo, entre outros, os vendem sem muito pensar (o Santos segurou Neymar, mas vende todo o resto). Há que se considerar também a atuação pornográfica de empresários, alguns grudados como sanguessugas até nas categorias fraldinha de certas agremiações. Além destes, há também os dirigentes amadores e anti-profissionais que são os grandes responsáveis pela penúria financeira e estrutural que nossos clubes viveram nas últimas décadas.

Talvez o primeiro passo seja valorizar de fato as categorias de base. Não apenas valorizar seus atletas de base mas também trabalhar para desenvolver jogadores em suas plenas capacidades técnicas, físicas, profissionais e morais. Independentemente de vencer ou não torneios como a Copa São Paulo e outros certames de aspirantes. Trabalhar para a evolução de atletas e homens e não para vencer campeonatos.

Temos sim muito a aprender com o Barcelona, mas também temos muito a ensinar aos catalães. Não é à toa que no Hall of Fame do clube espanhol, pululam nomes de craques brasileiros que já deixaram toda a comunidade blaugrana de boca aberta com o talento tupiniquim.

Passagem para a imortalidade

Por Caio Calazans

O dia 14 de dezembro poderá se tornar um dia histórico para o Santos Futebol Clube. Uma quarta-feira em que uma geração que tem no DNA o futebol-arte dos grandes times da Baixada bicampeões mundiais, estreará no Mundial de Clubes. Depois de encantar a América com a conquista da Libertadores, o Peixe recebeu uma despedida emocionante de sua torcida e tomou o rumo da terra do sol nascente decidido a voltar com o terceiro troféu mundial nas mãos. O Barcelona chegou ao Japão cheio de moral,   depois de dar uma chinelada no Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. O clube catalão enfiou três a um no time de Mourinho, Kaká e Cristiano Ronaldo e desembarcou em Tóquio cheio de sorrisos, depois de 12 horas de viagem.

Os brasileiros entram em campo na semifinal contra o campeão japonês Kashiwa Reysol. A equipe comandada por Muricy Ramalho conta com um padrão tático que não sofreu muitas alterações desde a chegada do técnico e tem dois jogadores capazes de fazer o impossível virar realidade: Neymar e Paulo Henrique Ganso. Mas o Barcelona é o Barcelona. Um supertime com jogadores versáteis, padrão tático admirável e um jogo que segue uma escola que privilegia o toque de bola e a habilidade. Time por time, o Barça é melhor. Acontece que no futebol as coisas não são tão simples assim. Muitos por aí falam como se o Barcelona fosse uma máquina avassaladora, cruel e impiedosa e o Santos um pobre Íbis Sport Club da vida, não é bem assim.

Reconheço que os catalães são favoritos, mas em uma partida só, tudo pode acontecer. Quem não se lembra do São Paulo em 2005 e do Internacional em 2006, ambos massacrados durante o tempo normal por Liverpool e Barcelona, mas que venceram aplicando o pragmatismo tático e apostando no contra-ataque. O São Paulo foi campeão com gol de Mineiro, defesas espetaculares de Rogério Ceni e três gols ingleses anulados (isso dá uma ideia do que foi o jogo) e o Internacional glorificado pelo reserva Adriano Gabiru, após segurar o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho de todas as formas.

O maior problema do Santos não é o Barcelona, mas sim suas próprias deficiências táticas. O Peixe confiou em Léo, lateral que já há muito tempo não joga um futebol de alto nível, apesar de muitos comentaristas encherem a bola do rapaz. Muricy Ramalho percebeu isso tarde demais, e agora o Santos vai com Durval na lateral esquerda. Um risco que não deixa de ser calculado, pois ele já atuou de forma parecida no Sport Recife, mas nunca em um mundial e nunca contra o Barcelona. Durval terá um bom teste já nas semifinais, quando enfrentará o rápido e incisivo lateral direito japonês Sakai. Mas contra o Barça, vai bater de frente com Daniel Alves.

Provável escalação do Santos na estreia. Sem Adriano, Elano ganha chance pela esquerda e Henrique vira primeiro volante. Com Léo no banco, Durval vira zagueiro/lateral pela esquerda.

Outra incógnita será o desempenho de Elano. Com a contusão e a operação do jovem Adriano, que surpreendeu durante a Libertadores e virou peça importante na cabeça de área, Elano acabou sendo a única opção para o meio-campo santista. Até aí tudo bem, não fosse o ano obscuro que o camisa 8 viveu em 2011. Ainda sob a sombra da Copa 2010, fez uma péssima Copa América e não mostrou nada durante o Campeonato Brasileiro, além de ter vivido problemas extra-campo. Taticamente a coisa complica, já que não existe outro jogador no elenco santista com as mesmas características de Adriano e que esteja em boa fase. Com isso, Henrique deverá fazer a função de Adriano, para liberar Arouca e deixar Elano mais à vontade para municiar o ataque santista.

Independentemente dos problemas, o Peixe deve atropelar os japoneses do Kashiwa (a não ser que aconteça um desastre inimaginável) e afiar as barbatanas para confrontar o time que todos dizem ser o melhor do mundo. Em um jogo desses, não se pode afirmar que existem favoritos, mesmo o Barça sendo mais time. O alvinegro praiano também tem uma equipe forte e totais condições de vencer os espanhóis. Goste você ou não, o legado do futebol brasileiro está nas mãos deles. Somente o fantástico Santos da Vila Belmiro  -que já foi de Pelé e hoje é de Neymar – poderá ser capaz de abaixar a crista dos catalães e fazer brilhar a bandeira brasileira lá em Tóquio.